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Curiosidades

Conheça o Método Koar Café: O que É? Como Funciona o Coador?

Por mais que não seja chegado à História do Brasil, você provavelmente sabe que o nosso país é o maior produtor de café do mundo, certo?

Aliás, o que não falta no Brasil são grãos criados e cultivados por aqui, em diversas partes do país, para os mais variados gostos e bolsos. Apesar disso, ainda éramos carentes de uma técnica de extração para chamar de nossa.

A maior parte desses processos são de criações internacionais, que se espalharam pelo mundo, inclusive por aqui.

A boa notícia é que isso não é mais um problema e essa extração ainda tem um nome bem abrasileirado: Koar.

O que é?

O método Koar vai muito mais além do que criar uma extração, ele foi idealizado com o intuito de se alcançar sensações sensoriais perfeitas.

O objetivo dos criadores era conseguir uma extração que diminuísse a acidez comum do grão de café e acentuar a sua doçura.

Para alcançar essa meta, foram criados sulcos de filtragem, que deveriam ter um formato bem harmonizado para que estes não ficassem muito abertos.

Isso porque caso esse sulcos tivessem um espaço muito grande entre si, a extração seria rápida demais e a acidez ainda ia ser ressaltada, e a ideia era justamente o oposto disso.

Por conta desse objetivo, a criação do Koar tornou-se ainda mais complicada.

Qual a sua origem?

O Koar é uma extração de origem brasileira, mais precisamente nordestina.

Surgindo em 2017, em Pernambuco, a ideia foi uma criação de Fernando de Sá; publicitário, e Filipe Santiago; engenheiro mecatrônico, e produzido pela barista Ludiane Santos.

O filtro criado conta com dezesseis sulcos em formato de ondas oblíquas, que estão inclinadas e por isso tem uma forma de cone, com uma saída de dezesseis milímetros de diâmetro.

Esse molde, que foi muito bem pensado, permite que o café seja coado com uma pressão muito menor, mas, ao mesmo tempo, aumentando a velocidade desse processo.

É aí que vem a diminuição da acidez – quanto mais tempo o café fica em contato com a água, mais ácido ele será.

Um outro detalhe muito importante do Koar é que ele não deixa o papel – o filtro – entrar em contato com a parede do coador, o que influencia diretamente no controle da água que passa pelo pó e impede que esta ressalte as características ácidas do grão.

De onde vem o nome?

O nome está diretamente ligado a serventia do filtro, que é coar. Inicialmente os sócios ficaram em dúvidas entre duas nomenclaturas: métodos Koar e método K.

Ambos foram uma sugestão do esposo da barista Lidiane, que também é sócio da Kaffe TT e do protejo. Desta forma, o filtro teria uma ligação direta com a Kaffe e Kika.

Ambos os nomes foram registrados, com o Koar sendo o grande vencedor.

Vários formatos

A peça piloto é em cerâmica, totalmente artesanal e pintada a mão. Por conta disso, cada unidade acaba sendo única e singular.

Devido a sua beleza, era até visto como um item de decoração, principalmente porque as cores usadas na pintura foram diretamente inspiradas nas asas das borboletas, tornando cada peça diferente uma da outra. Praticamente um item de colecionador.

Apesar de belíssimo, essa confecção é mais trabalhosa e igualmente mais cara. Mas essa realidade mudou logo em 2019, quando o café foi servido a Juscelino Bourbon, engenheiro e barista, que se propôs a criar outros modelos de Koar, com o primeiro modelo em metal.

Ainda em 2019, um modelo de acrílico foi lançado, barateando o custo do filtro, além de aumentar a quantidade de café a ser coado. Não é à toa que é a versão mais procurada do produto.

Você também tem a opção de comprar o Koar de aço inox. Esse modelo permite que você acople ao filtro uma válvula que retém a extração dentro do próprio porta-filtro. Tal característica permite que você experimente diversas receitas, já que ele possibilita métodos híbridos, principalmente de percolação e infusão.

Essa parte da produção continua até hoje nas mãos de Juscelino, que é feita toda em Pernambuco – a de cerâmica, principalmente -, já que a região é conhecida como o berço do artesanato em barro. Já os filtros de outras matérias são feitos no interior de São Paulo.

Apesar de já terem um grande leque de opções, a empresa não para de pensar em novidades e pretende lançar um filtro feito em alumínio colorido, em dois tamanhos diferentes.

A ideia é ter uma linha voltada para os amantes de café com um preço mais acessível, o que é ótimo, ainda mais se pensarmos que os métodos internacionais de extração são mais caros, principalmente com a variação do dólar.

Quais os benefícios?

Sem dúvida nenhuma que o maior benefício do Koar se comparado com outros métodos de extração vem do formato ao qual é moldado, que foi todo pensado para ressaltar as características naturais do café.

Ou seja, com ele você tem um aproveitando muito maior da bebida, podendo perceber todos os pontos positivos do produto que você escolheu, além de ter como resultado final um líquido muito mais encorpado.

Essa diferença começa no próprio material do utensílio. A cerâmica e o acrílico foram escolhidos por destacarem a doçura do café, ao mesmo tempo que o aço inox vem para reduzir a acidez natural do grão. Perfeito para quem gosta da bebida, mas não é muito fã dessa característica.

Outra vantagem é a limpeza. Apesar do filtro de pano ser ótimo, não podemos negar que o de papel facilita bastante o dia a dia. No caso do Koar você só precisa descartar o usado e passar uma água morna no acessório.

Assim, é só deixar secando em um lugar seguro, ainda mais se for um modelo feito em material mais delicado, como a cerâmica ou acrílico.

Qual é o passo a passo do seu uso?

Mesmo com um formato diferenciado, é bem simples usar o Koar.

1. Passo 1

Encaixe o produto na base que vai junto com ele e, respectivamente, no recipiente onde você irá coar o seu café, pode ser um copo, xícara, garrafa, enfim, onde desejar.

Para aqueles que querem um kit completo, a empresa vende um decanter customizado.

2. Passo 2

A primeira coisa que você deve fazer, após posicionar o filtro, é esquentar a água para fazer o café, numa quantidade a mais, pois é importante você escaldar o filtro de papel para eliminar possíveis traços de celulose, que se presentes, vão interferir no sabor da bebida.

A água deve ser fervida em torno de 90ºC (noventa graus Celcius).

Para o Koar de cerâmica você pode usar um filtro V60 número um. Para outros modelos, é melhor o dois. Ainda é possível fazer uma adaptação com os filtros da Melitta, basta dobrar este para que ele fique em formato de cone.

3. Passo 3

Em seguida, coloque o café dentro do filtro de papel, cerca de 22 gramas. Se você optou por um grão que vai ser moído na hora, é importante que ele já esteja neste estado antes de você esquentar a água. Mas não muito antes, pois a partir do momento que o item entra em contato com o oxigênio, ele começa a perder suas características.

Coloque o grão moído em moagem fina no filtro e faça um tipo de pré infusão, onde você vai colocar de 50 a 70 mililitros de água quente por cerca de 30 segundos.

4. Passo 4

Em seguida, continue despejando o restante da água, mas agora em movimentos circulares, em direção aos sulcos do filtro.

5. Passo 5

Por fim, antes que a bebida comece a gotejar – a água que você colocou no filtro está quase no fim -, adicione o restante que sobrou na caneca no centro do Koar. E fim, seu café doce e com baixa acidez está pronto!

Lembrando que é importante fazer apenas a quantidade que você vai beber naquele momento. Isso porque o café começa a oxidar vinte minutos após o seu preparo, o que quer dizer que depois disso ele já perdeu algumas das suas características naturais, e você com certeza não quer ingerir uma bebida ruim e sem os aromas que você esperava.

Conclusão

É importante que cada vez mais a gente valorize o que é feito no Brasil. Tanto o café quanto utensílios usados nesse processo. Além de incentivar o consumo de produtos brasileiros, você ainda tem algo de qualidade dentro do seu próprio país e não precisa pagar mais caro por isso.

Ao consumir itens nacionais estamos ajudando o país e os seus produtores, e isso é muito importante para a economia de forma geral. Se antes você se queixava que não existia um método de extração de qualidade no Brasil, agora você não tem mais essa desculpa.

O Koar é tudo que a gente procura: bom, barato, bonito e faz um café com ótima qualidade.

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